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Desde: 27/10/2004      Publicadas: 34      Atualização: 22/11/2005

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 Cinema

  24/11/2004
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Drácula de Coppola

O filme “Drácula de Bram Stoker”, 1992, dirigido pelo famoso diretor Francis Ford Coppola (de “O Poderoso Chefão”), traz no título sua proposta de fidelidade ao maior clássico da literatura de terror, escrito em 1897 por Bram Stoker. Pena que não cumpre com ela.

Drácula de Coppola
Da Redação
A história contada pelo filme é a mesma que se passa no livro, mas a fidelidade do diretor resume-se a isso. A adaptação distorce pilares de apoio à construção da história de Bram Stoker. Por exemplo, os personagens têm suas personalidades alteradas prejudicialmente. A determinação e força de vontade de Johnathan Harker cedem lugar a uma inércia impressionante, e o personagem de Keanu Reeves passa a ser um cara apático, que se deixa levar pelas situações sem nenhuma reação. A sabedoria e serenidade do Dr. Van Helsing são substituídas por um tipo de loucura que não cabe no personagem, e sua relação excelente com os parceiros na empreitada de caça ao vampiro é virada do avesso. Lucy perde sua pureza e inocência e praticamente se transforma numa prostituta, que tenta seduzir aos três pretendentes, ao Dr. Van Helsing e até ao vampiro. O Sr. Renfield, o louco internado no asilo do Dr. Seward, foi colocado no filme como sendo o (ex) patrão de Johnathan Harker, numa estranha fusão de personagens, carente de explicações. Mas nada se compara às mudanças na personagem Mina, que também perde sua pureza, astúcia e força de vontade para representar uma mulher frágil, infiel e determinada, por sua própria vontade, a ser como o vampiro que a ataca. Aliás, Mina é colocada como a reencarnação da princesa Elisabeta, que no início do filme suicida acreditando que seu marido morrera na guerra. Esta história simplesmente não existe no livro.

Talvez estas modificações distorçam mais a história de Bram Stoker do que o filme “Nosferatu”, filmado em 1922, e cujo nome seria “Drácula” se o próprio Bram Stoker não houvesse proibido o diretor F. W. Murnau (Fausto) de utilizá-lo. Aliás, dizem que o filme de Coppola é uma refilmagem do de Fausto. Arrisco-me então a afirmar que se Bram Stoker estivesse entre nós no momento da produção do filme de Coppola, tampouco teria autorizado o uso de seu nome. Já o nome de seu personagem já está tão gasto que não haveria problema algum em sua utilização.

A narrativa do filme segue a cronologia do livro, embora não seja contada da mesma maneira. No livro, a história é contada através de trechos dos diários dos personagens. No filme, os acontecimentos se passam no tempo presente, o que aumenta a ação das cenas, mas diminui o suspense presente no livro. Talvez se o recurso de histórias paralelas fosse utilizado, a tensão poderia ter sido maximizada junto com a ação nas cenas, compensando a diminuição no suspense.

Outro fator de discordância entre o livro de Stoker e o filme de Coppola é a sexualidade. Stoker não explora a sexualidade em nenhum momento em seu livro. Pelo contrário, a história é centrada na condição do vampiro, no sofrimento causado às suas vítimas e nas conseqüências de seus atos. O livro parece pretender demonstrar que a fé católica é capaz de superar todo o mal. E isto pode ser percebido facilmente quando se lista as “armas” de combate ao vampiro. Dentre as estacas e o alho estão a cruz e a hóstia.

No filme, tudo gira em torno da sexualidade e do amor. A princesa suicida porque pensa que seu príncipe morreu; o príncipe, ao ver a esposa morta torna-se um ser diabólico, imortal, que atravessa os séculos até encontrar a reencarnação de sua amada; Mina se entrega ao vampiro por sua própria vontade, querendo ser como ele. Lucy quer se entregar a todos de uma só vez, e as cenas nas quais ela é atacada pelo vampiro mais parecem inspiradas em filmes pornográficos, pelos gemidos que se ouve e pelas estranhas posições em que o vampiro suga-lhe o sangue; sem contar a movimentação...

Entretanto, apesar de todos os defeitos, o filme de Coppola tem originalidade, superando a grande massa de filmes sobre vampiros que não são mais do que histórias de pescoços mordidos e corações transpassados por estacas milagrosas. A qualidade do filme não se perde em meio às distorções, o que se perde é somente a fidelidade proposta pelo diretor, e o filme é vencedor de três Oscars: melhores efeitos sonoros, melhor figurino e melhor maquiagem, e chegou a ser indicado na categoria de melhor edição de arte.

Enfim, leitor, faz muita diferença se você vai assistir ao Drácula de Bram Stoker ou ao Drácula de Coppola.


- Imagem: Cartaz oficial do filme

  Autor: Daniel Schneider


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