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Desde: 27/10/2004      Publicadas: 34      Atualização: 22/11/2005

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 Literatura

  24/11/2004
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Ai de ti, Rubem Braga

Rubem Braga explora seu cotidiano em "Ai de Ti Copacabana"

Ai de ti, Rubem Braga
Da Redação
O livro “Ai de ti Copacabana”, publicado em 1962, é considerado um dos clássicos da literatura brasileira. Junto a isto está o autor Rubem Braga, um dos maiores e mais conceituados cronistas do nosso país. A obra, que é composta de 60 crônicas, aborda a vivência e o cotidiano de Rubem Braga através de uma linguagem lírica. Suas histórias são impregnadas de grande amor à vida, “assuntos do dia-a-dia, sua infância e juventude, os primeiros amores, a natureza, a vida simples dos humildes e sofredores, além de amor e exaltação à mulher”.

Rubem Braga é considerado por muitos especialistas como o maior cronista brasileiro desde Machado de Assis. Seu primeiro livro, de 1936, foi “O Conde e o Passarinho” escrito quando tinha apenas 22 anos. Ficou famoso por gostar de ficar sozinho e ser muito introspectivo. Teve como característica singular o fato de ser o único autor nacional ao ganhar notoriedade escrevendo exclusivamente crônicas. Como jornalista exerceu as funções de repórter, redator, editor e cronista. Suas histórias, coletâneas e crônicas foram publicadas em vários jornais como o “Correio da Manhã”, “Diário de Notícias” e “O Globo”. Fez parte da equipe de cronista da manchete. Nas décadas de 60 e 70 já era considerado “um mito vivo da literatura brasileira”.

Seu mais famoso livro é o imortalizado “Ai de ti Copacabana”. A obra reúne crônicas escritas entre abril de 1955 e fevereiro de 1960, em Santiago do Chile, Brasil e uma delas em Nova York. De forma contemporânea, explora o lirismo em suas histórias e aborda o significado dos acontecimentos triviais, enfocando o surpreendente e o inesperado.

De acordo com os critérios do crítico Afrânio Coutinho, o tipo de texto que prevalece na obra é a crônica poética, na qual predomina o olhar emotivo, introspectivo e reflexivo, com um indispensável traço de melancolia. Além disso, demonstra uma linguagem coloquial e temáticas simples, como paisagens da natureza, sentimentos e memórias da sua infância e juventude, característica que gerou uma grande popularidade para sua obra. O enfoque dado aos aspectos da natureza pode ser percebido em diversas crônicas, como por exemplo, “Na rede” (pág 141), “A outra noite” (pág 147), entre outras. Nelas, as nuvens, as estrelas, o ar e a lua são interpretados e exaltados de forma íntima e poética. É constatada também a ironia dentro de algumas crônicas que lembram editoriais, onde alfineta a sociedade.

Rubem Braga se destaca também quando opta por escrever histórias cômicas. Na crônica “Desculpem tocar no assunto”, através do caderninho de telefones o autor constata que há muitos números de pessoas que já morreram. A partir deste fato, inicialmente banal, ele cria uma cidade dos mortos e tudo que acontece por lá. Um tema relacionado ao cotidiano (seu caderno de telefones) se transforma em um papo íntimo com o leitor, capaz de fazer chorar ou rir. Outro ponto que também é muito explorado é com relação a seu passado e lembranças. A crônica “Quarto de Moça” (pág 145) deixa claro esta perspectiva de resgate a memória: “Mas eu conheci seu quarto de solteira. Era pequeno, gracioso e azul; ou é a distância que o azula em minha lembrança?

No que se refere à melancolia podemos exemplificar a crônica “Minha morte em Nova York” (pág 132), na qual o autor narra a sua possível e solitária morte de maneira dramática, cômica e irônica. Fazendo jogo com as palavras e utilizando recursos de linguagem, faz de uma simples febre e da falta de dinheiro em uma viagem aos Estados Unidos, uma crônica extraordinária. Outra história interessante para ser citada é “A montanha”, pois engloba características melancólicas com outros sentimentos de amizade e amor.

“Sobre o amor, desamor”, sua consideração oportuníssima deixa explícita sua opinião sobre relacionamento: “Ah, os casais de antigamente! Como eram plácidos e sábios e felizes e serenos...”.

“A primeira mulher do Nunes” tem uma pitada de humor, encontros e desencontros. Uma das melhores crônicas da obra “O presidente voador” discorre num tom sarcástico, bem humorado e num tom um tanto quanto indignado, sobre a vida do então presidente do país naquele ano de 1957, Juscelino Kubistchek: “... eu acho bom essa coisa de viver o nosso presidente a esvoaçar para um lado e outro do Brasil...” . Para Rubem Braga essa é a vida que todo brasileiro pediu a Deus.

Analisando suas crônicas com o texto jornalístico podemos entender que tratam-se de fatos noticiosos. Seus textos não oferecem proximidade com o leitor, apenas narra os fatos.

A crônica que dá nome ao livro tornou-se o maior cartão de visita do autor. Através de 22 itens, inspirados na forma de versículos bíblicos, Rubem Braga faz uma previsão apocalíptica e irônica ao tradicional bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro. Como sujeito narrador, se mostra como um Deus. A idéia de inundação e submersão é apresentada como forma metafórica para a degradação sucessiva do bairro boêmio, que está afundando e precisa ser resgatado.

Combinando conteúdo e forma, o autor narra a decadência de Copacabana. “Já movi o mar de uma parte e outra parte, e suas ondas tomaram o Leme e Arpoador, e tu não viste este sinal; estas perdida e cega no meio de tuas iniqüidades e de tua malicia” (pág 80). Ao mesmo tempo em que está distante ele estabelece uma intimidade com a “sua” Copacabana. Isto é percebido através da expressão “ai de ti” do título, que também confere autoridade ao narrador. Ele não conta essa história de qualquer maneira. Por morar naquele local, a releitura recebe uma dinâmica única. Ele vive na realidade que interpreta.

Rubem Braga morreu de parada respiratória, causada por um tumor na garganta, em dezembro de 1990. Ele preferiu não operar e nem fazer quimioterapia. Conforme seu desejo morreu sozinho, não num quarto de hotel em Nova York, mas em um hospital do Rio de Janeiro. Rubem foi um prosador moderno e o livro “Ai de ti Copacabana” comprova isto. Sua visão do mundo, através de sua obra é simples e precisa. É capaz de achar profundos significados naquilo que parece irrelevante e capta a mais inesperada poesia nas cenas diárias. Vai do cômico ao dramático, sabe fazer chorar quando se deve rir e sabe fazer rir quando se faz necessário chorar. Como já escreveu Davi Arrigucci “sua narrativa contrapõe-se entre o melancólico e o lírico, ao mesmo tempo em que da veracidade ao relato. Muitas vezes, resulta da tensão provocada pela ironia, sutilmente empregada e pela exposição dos dramas, supridos pela vida moderna, reforçados pela hipocrisia e hostilidades do dia-a-dia”.

Principais crônicas de Rubem Braga:

- O Conde e o Passarinho, 1936
- O Morro do Isolamento, 1944
- Com a FEB na Itália, 1945
- Um Pé de Milho, 1948
- O Homem Rouco, 1949
- 50 Crônicas Escolhidas, 1951
- Três Primitivos, 1954
- A Borboleta Amarela, 1955
- A Cidade e a Roça, 1957
- 100 Crônicas Escolhidas, 1958
- Ai de ti, Copacabana, 1960
- O Conde e o Passarinho e O Morro do Isolamento, 1961
- Crônicas de Guerra - Com a FEB na Itália, 1964
- A Cidade e a Roça e Três Primitivos, 1964
- A Traição das Elegantes, 1967
- As Boas Coisas da Vida, 1988
- O Verão e as Mulheres, 1990
- 200 Crônicas Escolhidas
- Casa dos Braga: Memória de Infância (destinado ao público juvenil)
- Uma fada no front
- Histórias do Homem Rouco
- Os melhores contos de Rubem Braga (seleção David Arrigucci)
- O Menino e o Tuim
- Recado de Primavera
- Um Cartão de Paris
- Pequena Antologia do Braga



- Imagem: Montagem e-cult

  Autor: Kátia Bezerra





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