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 Literatura

  24/11/2004
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Josué de Castro: um Brasileiro escrito por suas referências e realizações

Escritor brasileiro é um ícone contra a fome

Josué de Castro: um Brasileiro escrito por suas referências e realizações
Da Redação
Qualquer homenagem que se preste a esse homem, por mais palavras que se escreva, não caberá em si mesma. Quem optar por um livro, cairá inevitavelmente na obrigatoriedade de se sublinhar o homem, seus pensamentos, seus direitos. Um filme será um bom candidato ao Oscar: afinal, quem serão os loucos a menosprezar uma personalidade como a de Josué de Castro, cujos planos e metas perseguiram a dignidade humana? A má notícia é que os loucos existem, somos nós brasileiros a vangloriar aptidões alheias, quando, o altruísmo e a vontade de ser solidário fizeram de um anônimo um Titã de seu tempo, digno de ser sublinhado pelas honrarias de um tributo à sua memória.

Entre os anos de 1877 e 1879, período de uma terrível seca, o estado pernambucano amargou - segundo estatísticas – aproximadamente 300 mil mortes. E as temporadas seguintes não apontavam para nenhuma melhora. Do jeito que estava, não podia continuar, a situação então não mostrou outra saída, a não ser a migração. Os pernambucanos começaram a procurar regiões onde havia notícia de emprego. Na época, o estado do Amazonas e região Centro-Sul. Nascido a 5 de setembro de 1908, Josué de Castro foi testemunha ocular da miséria, fome e sofrimento que ocasionavam a seca em sua terra de origem, o Pernambuco.

Logo cedo, aos 21 anos, o jovem Josué ouviu o chamado de sua vocação e decidiu se tornar o guardião da vida, mas não só um profissional da medicina. A biografia de Josué de Castro revela um homem preocupado com este sopro que conhecemos por vida e que alguns utilizam para o bem e que outros fazem de instrumento da perfídia. Ao brasileiro, a quem são dedicadas estas palavras, pareceu mais justo e gratificante e, nem por isso menos árduo, trilhar o caminho do bem.

Sob profunda influência socialista, Josué firmou suas raízes sobre os pilares do bem estar humano. Foi durante sua infância nos mangues de Capibaribe, que teve o primeiro contato com a miséria e fome. Vítima das agruras da seca, sua família se vê obrigada a mudar para o mangue. Como médico, trabalhou numa grande fábrica e constatou que o problema alimentício afligia não só os países do terceiro mundo, também assolava continentes, enfim todo o planeta. Suas observâncias tomam forma em 1932, quando produz um inquérito em que destaca os efeitos da fome, além das condições de vida do trabalhador bem como sua alimentação. Documento este que serviria anos mais tarde de bases para institucionalização do salário mínimo em 1940, ano de vigência do governo de Getúlio Vargas.

A partir de 1948, como delegado do Brasil, Josué de Castro participa da 1ª Conferência Latino-Americana de Nutrição em Montevidéu, que foi promovida pela FAO, Órgão das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação e deste ano em diante é nomeado membro consultivo do conselho permanente de nutrição deste órgão. E é em 1954 que o reconhecimento lhe bate mais uma vez à porta: Josué de Castro é premiado, por suas ações e esforço na luta contra a fome, com o Prêmio Internacional da Paz, pelo Conselho Mundial da Paz, bem como, receberia mais tarde 3 indicações para o Prêmio Nobel da Paz.

Como tantos na época, abominou a ditadura e profetizou seu apoio à instauração da democracia e direito de todos se manifestarem. Nos anos da repressão de 64, teve os direitos políticos cassados por dez anos, afinal, sendo um homem público acabou sendo registrado pelo DOPS devido aos encontros políticos dos quais participava.

Enquanto isso, em terras brasileiras, diante do sofrimento dos que nada tinham e que sofriam com a fome, Castro se prontificava a ser um soldado para lutar contra ela e contra a marginalidade social. Para ele, fome devia figurar também no sentido de carência intelectual, dignidade e patrimônio. É interessante notar que, mesmo sendo um homem do século XX, suas contribuições servirão também para as próximas gerações. Como em 1946, quando lançado seu livro, “Geografia da fome”. Nele, tem-se um mapeamento preciso da fome que assola o país e, a partir das estatísticas estampadas nas páginas desta obra que o deixou conhecido, Josué de Castro fez o problema se tornar escancarado, gritante. E mesmo assim, pouco tem sido feito pelas diretrizes governamentais. O autor foi categórico: atribuir a fome a fenômenos naturais era debochar da inteligência dos brasileiros. Estava mais do que claro, a fome já tinha se tornado conseqüência de incapacidade política, prioridades equivocadas e descaso com o ser humano. Para Josué, a ladainha de que o problema da fome no país deriva da concentração de renda e contrastes sociais, não funcionava mais. Era preciso ser sincero, mostrar ao povo a causa de suas noites de insônia.

Sem se sentir satisfeito com o simples incentivo da cultura, o cidadão Josué contribuiu com sua visão de mundo: produzindo obras literárias que, por terem sido reconhecidas unanimemente, acabaram traduzidas em 25 idiomas, para que todos pudessem saber que nem tudo estava perdido. Deus mandou seus anjos para eliminar as chagas que tormentavam seus filhos; o doutor Castro era um deles.

Em vida tudo, se era para lhe conferir autoridade, por ele foi feito. Pode-se dizer que houve luta de sua parte de modo a alcançar seus objetivos. Por suas ocupações várias questões ainda insolúveis hoje passaram: a fome e seca no nordeste foram algumas delas. Desta temática trata sua obra, “Documentário do nordeste” – do ano de 1937. Neste livro estão incluídas crônicas, contos e ensaios sobre o nordeste. Região brasileira, cuja pobreza é um fantasma que ainda nos assombra. Uma discussão sobre a fome nesse país ficaria incompleta, manca mesmo sem a abordagem especialista do pesquisador Josué de Castro. Comprometido com a educação e futuro do povo brasileiro, era consciente que só por meio da instrução seria possível se fazer eleitores repletos de conteúdo e censo crítico para avaliar seus representantes eleitos.

Em esferas internacionais, o doutor Castro representou o país em conferências de nutrição e acreditava na política como único instrumento para colocar nos trilhos a nossa nação. Portanto, por seus méritos, foi reconhecido por exponenciais personalidades do país como Betinho, Chico Science, Darcy Ribeiro e Jorge Amado, afinal só quem é nobre sente a fragrância do sangue intelectual, enfim dos seus iguais.

Além de extremamente humano era um defensor da paz, a violência contra o próximo já é grande demais. Basta ver tantos sem casa, sem ter o que comer, sem sua cidadania reconhecida. Tudo que se disse acima podem parecer palavras vãs, pois a se comparar com Josué Apolônio de Castro, muito temos que aprender. E é para isso que lhe faço falar através das seguintes transcrições: “A PAZ depende mais do que nunca do equilíbrio econômico do mundo. A segurança social do homem é mais importante do que a segurança nacional baseada nas armas ... Portanto, para ser realista, a estratégia global do desenvolvimento deve basear-se numa premissa: todos os esforços devem ser enviados pra promover a reconversão da economia de guerra do mundo numa economia de paz”.
Sobre a humanidade e sua mentalidade, o professor, médico e deputado federal, José de Castro também deixou claras as suas posições: “Na minha opinião, uma das mais altas prioridades para o terceiro mundo é a formação humana, a formação de homens responsáveis e capazes de por em ação esta estratégia global. É preciso integrar em um só mundo as parcelas justapostas das economias contraditórias, e isto é a tarefa do homem de amanhã. Para levar esta tarefa a bom termo, é necessário preparar esse tipo de homem”.
Há que se reiterar, Josué de Castro, pelo homem que foi, torna hoje mais forte o eco de sua relevância para nosso povo e para nossa herança patrimonial. Pela gravidade do problema que enfrentamos hoje – o da fome - devemos a ele este tributo, que aqui está para celebrar sua passagem brilhante, generosa e de lastro humanista pela Terra. Salve nosso homenageado, Josué de castro, mais que um intelectual a serviço dos seus, um cidadão do mundo. Josué de Castro é o senhor do legado de magnanimidade e perseverança que nos deixou e para os cidadãos das gerações que virão.


- Imagem: Montagem e-cult

  Autor:   Alessandro Conegundes


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